A segunda temporada de One Piece está chegando e já é considerada a maior da história entre adaptações de anime. Mas, junto com a expectativa, surge a pergunta inevitável: será que a série da Netflix conseguirá manter o nível que surpreendeu o mundo em sua estreia?
O desafio das adaptações live-action
Adaptar animes para o formato live-action quase nunca dá certo. Bleach, Attack on Titan, Yu Yu Hakusho, Ouran High School Host Club e Gantz são exemplos de produções criticadas por fugirem demais da essência original. One Piece parecia caminhar pelo mesmo caminho, mas surpreendeu com uma primeira temporada elogiada pelo público e pela crítica.
Com a segunda temporada marcada para estrear em 10 de março de 2026, o debate ressurge: será que o novo ano consegue manter a qualidade ou corre o risco de repetir erros clássicos do gênero?
Como a primeira temporada conseguiu funcionar
A adaptação chamou atenção por tornar o universo de One Piece mais acessível. Em vez de pedir que novos espectadores encarem mais de mil episódios, a Netflix condensou 95 capítulos do mangá em apenas oito episódios. Isso poderia ter dado muito errado, como no caso de Yu Yu Hakusho, que alterou tanto a história que perdeu sua essência.
Mas One Piece fez o contrário: entregou uma adaptação compacta que preservou o charme e o impacto da obra original.
O papel crucial de Eiichiro Oda
Grande parte desse acerto veio da participação direta de Eiichiro Oda. O criador acompanhou roteiros, fez sugestões e vetou mudanças que fugiam do espírito do mangá. A Netflix só deu sinal verde após a aprovação pessoal de Oda.
Essa parceria garantiu ajustes importantes, como a introdução antecipada de Garp e o destaque para Koby, que só ganharia relevância bem mais tarde no anime.
O elenco como ponto decisivo
Oda defende que uma boa adaptação não precisa alterar muito a história, desde que o elenco consiga transmitir fielmente a personalidade dos personagens. E foi justamente aí que o live-action brilhou.
Iñaki Godoy entregou um Luffy fiel, energético e natural, enquanto Mackenyu trouxe uma interpretação sólida para Zoro. Emily Rudd, como Nami, foi destaque do arco emocional da temporada. Com essa base, a série conquistou fãs antigos e novos.




Críticas e ironias
Curiosamente, algumas críticas negativas reforçaram sem querer o quanto a adaptação acertou. O Los Angeles Times afirmou que Luffy era “patologicamente autoconfiante” e “propenso a decisões ruins” — características essenciais de qualquer protagonista shonen. Fãs reconheceram que isso era exatamente o que tornava o personagem tão fiel ao original.
O que esperar da segunda temporada?
A temporada inicial terminou com a derrota de Arlong e a primeira recompensa de Luffy, deixando os Chapéus de Palha prontos para explorar a Grand Line. A dúvida agora é se a Netflix conseguirá repetir a mesma combinação de fidelidade, ritmo e carisma que transformou o live-action em um fenômeno global.