Aproximação com a produtora Monkeypaw reacende esperanças para o caótico projeto da Marvel
Com a chegada de 2026 no horizonte, o Marvel Studios se prepara para um período decisivo. O retorno dos Vingadores, agora com Robert Downey Jr. em um papel de vilão e Chris Evans novamente ligado ao MCU, deve marcar não apenas um grande evento cinematográfico, mas também o início do encerramento da conturbada Saga do Multiverso.

Nesse cenário de reestruturação, um projeto continua chamando atenção justamente por sua ausência: Blade. Sete anos após o anúncio de Mahershala Ali como o icônico caçador de vampiros, o filme segue sem data, sem diretor e cercado de incertezas. Porém, no fim de 2025, um novo rumor reacendeu a discussão: o possível envolvimento de Jordan Peele e de sua produtora, a Monkeypaw, com o longa.
Um desenvolvimento problemático desde o início
Anunciado em 2019, o reboot de Blade rapidamente se tornou um dos projetos mais instáveis do MCU. O primeiro diretor confirmado, Bassam Tariq, deixou a produção em 2022, pouco antes do início das filmagens. Em seguida, Yann Demange assumiu o comando, mas também abandonou o projeto após divergências criativas — segundo relatos, diretamente com Mahershala Ali.
O roteiro passou por diversas reescritas, e nomes importantes do elenco, como Delroy Lindo e Aaron Pierre, saíram por conflitos de agenda. Atualmente, além de Ali, Mia Goth é um dos poucos nomes ainda associados ao filme, que Kevin Feige segue descrevendo como “prioridade”.
A abordagem engavetada — e um erro estratégico da Marvel
Durante anos, circularam rumores de que Blade teria uma abordagem de época, conectando vampiros à escravidão nos Estados Unidos e explorando temas raciais e históricos. A proposta nunca avançou dentro da Marvel — e isso pode ter sido um erro estratégico.
Em 2025, Pecadores, dirigido por Ryan Coogler, mostrou como essa combinação pode funcionar. O filme uniu cinema de gênero, comentário social e espetáculo, arrecadando mais de US$ 367 milhões mesmo com classificação indicativa mais elevada. O sucesso deixou claro que o público está disposto a consumir histórias mais densas dentro do entretenimento pop.
Marvel Studios reportedly wants Jordan Peele to direct an #MCU film.
— Cosmic Marvel (@cosmic_marvel) December 27, 2025
(via @DanielRPK) pic.twitter.com/zr64N04XWo
Jordan Peele pode ser a virada que Blade precisa?
É nesse contexto que o nome de Jordan Peele voltou a circular nos bastidores do estúdio. O diretor vencedor do Oscar por Corra! já havia sido cotado para projetos importantes da Marvel no passado, incluindo rumores sobre os X-Men no MCU.
O que fortaleceu o burburinho recente foi uma reação direta da Monkeypaw, que repostou a informação nas redes sociais com uma simples “piscadinha” simbólica, suficiente para chamar a atenção de fãs e analistas da indústria.
A produtora tem no currículo obras como A Lenda de Candyman, Infiltrado na Klan, Lovecraft Country e A Caçada, todas conhecidas por misturar horror, ação e comentários sociais afiados — exatamente o território onde Blade poderia finalmente encontrar sua identidade.
Um novo MCU exige novas vozes criativas
Se a Marvel pretende iniciar uma nova fase após Vingadores: Doutor Destino e Guerras Secretas, com maior foco em conflitos sociais e personagens mais complexos, Jordan Peele surge como um nome natural. Ele domina o cinema de gênero, equilibra crítica social e entretenimento e entrega impacto cultural — algo que o MCU vem tentando recuperar nos últimos anos.
Mesmo que o rumor não se concretize, a possível aproximação revela uma mudança de mentalidade: o estúdio já não opera com as mesmas certezas de antes e pode precisar apostar em vozes autorais fortes para se reinventar.
Talvez, enfim, Mahershala Ali possa vestir os óculos escuros e empunhar a espada de Blade nos cinemas. Uma má notícia apenas para Wesley Snipes, que deixaria de ser o único Blade das telonas — mas um preço aceitável para salvar um projeto que nunca deveria ter sido engavetado.