A motivação é um pilar dos protagonistas shonen, mas Jujutsu Kaisen, de Gege Akutami, leva esse conceito a um nível muito mais profundo e doloroso. Desde o primeiro episódio, quando o avô de Yuji Itadori morre no hospital, a série estabelece seu tom. O último desejo do avô — que Yuji use sua força para ajudar e salvar todos à sua volta — não funciona como uma bênção inspiradora, mas como uma espécie de maldição emocional.
Itadori carrega esse pedido como um peso crescente. Ele é obrigado a ser forte, bondoso e resiliente, mesmo quando o mundo ao seu redor se rompe. E Jujutsu Kaisen passa toda a sua narrativa distorcendo essa promessa, mostrando como o trauma molda e destrói os personagens enquanto os empurra para batalhas cada vez mais cruéis.
O nascimento de um novo tipo de herói shonen
É essa base emocional que transforma JJK no anime mais sombrio de sua geração. Diferente de protagonistas clássicos como Naruto Uzumaki, cuja motivação era se tornar Hokage, Yuji Itadori luta não por reconhecimento, mas por obrigação moral. Ele se sente responsável por salvar quem puder, porque acredita ser o único capaz de fazê-lo.
Esse tipo de motivação baseada em trauma não existe apenas em Jujutsu Kaisen. Ela forma o chamado Trio Shonen Sombrio, ao lado de Chainsaw Man e Hell’s Paradise. Os três animes compartilham protagonistas que não buscam glória, mas sobrevivência. Eles carregam marcas psicológicas profundas, e cada episódio reforça que suas escolhas nascem do sofrimento, não da ambição.
O impacto do trauma na nova geração de shonen
A brutalidade emocional e física é um dos elementos que mais atraem o público atual. As histórias são pesadas, muitas vezes deprimentes, mas mantêm uma pequena centelha de esperança que impede tudo de desabar completamente. E essa pitada de luz, em um mar de escuridão, é o que torna essas obras tão marcantes.
O Studio MAPPA, responsável pelos três animes do Trio Shonen Sombrio, entende o apelo do trauma como motor narrativo. Por isso, a promessa para as próximas temporadas — com Jujutsu Kaisen e Hell’s Paradise retornando no inverno de 2026 — é de mergulhar ainda mais fundo na dor, nas perdas e nos conflitos internos dos personagens.
A consolidação de JJK como o mais sombrio da história
Entre todos os shonen contemporâneos, Jujutsu Kaisen se destaca como o mais sombrio porque transforma a motivação em uma ferida aberta. Yuji não luta porque quer. Ele luta porque precisa, mesmo quando isso o destrói por dentro. E o público acompanha tudo isso com fascínio, sabendo que cada passo o leva a mais sofrimento, mais culpa e mais responsabilidade.
Esse equilíbrio entre esperança e desespero é o que faz de JJK uma obra tão impactante — e prova que ele é, sim, o anime shonen mais sombrio de todos.