A estreia de VisionQuest no catálogo do Disney+, com a liberação de seus dois primeiros episódios nesta terça-feira, trouxe uma abordagem inédita para a história das criações tecnológicas do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). Vista pelo público e pelo próprio estúdio como a conclusão da trilogia iniciada em WandaVision, a obra materializa com rostos humanos os sistemas artificiais desenvolvidos ao longo dos anos, principalmente nas Indústrias Stark, coexistindo dentro da consciência do protagonista.
Enquanto o sintozóide interpretado por Paul Bettany busca compreender sua identidade após o confronto com a cópia reativada pela S.W.O.R.D., ele precisa lidar com um ecossistema interno composto por entidades que marcaram sua concepção e o passado dos Vingadores.


Visão e a matriz original de J.A.R.V.I.S.
O próprio Visão representa a convergência direta desse universo de inteligências. Nascido a partir de um projeto de Tony Stark e Bruce Banner para frear a ameaça cibernética que assolava o planeta, o corpo sintético recebeu a base estrutural de J.A.R.V.I.S. e foi energizado pela Joia da Mente. Morto por Thanos na Guerra Infinita e recriado temporariamente no feitiço de Wanda Maximoff em Westview, o herói agora tenta se situar no mundo a partir dos registros de sua matriz anterior.
Essa base pertenceu originalmente a J.A.R.V.I.S., software que acompanhou os primeiros passos da armadura de Stark e cujo suporte sonoro foi realizado por Paul Bettany no cinema. Dentro do plano mental da nova série, o programa trata o Visão como um irmão e ganha a presença de James D’Arcy em cena, resgatando o ator que deu vida ao mordomo de carne e osso de Howard Stark na série Agent Carter.


A sucessão com F.R.I.D.A.Y. e o sistema de defesa E.D.I.T.H.
Após a transferência de J.A.R.V.I.S. para o corpo do herói, o controle operacional dos projetos de Tony passou para F.R.I.D.A.Y., que atuou diretamente na Batalha de Sokovia e permaneceu ativa até os acontecimentos derradeiros de Ultimato. Com voz original gravada por Kerry Condon nos longas-metragens, a assistente surge caracterizada em cena pela atriz Orla Brady.
Outra presença marcante é a de E.D.I.T.H., tecnologia de defesa global instalada em óculos de satélite cujo nome reforça o lema de que Tony Stark permanece um herói mesmo após a morte. Transferido para Peter Parker e manipulado por Quentin Beck em Homem-Aranha: Longe de Casa, o recurso aparece em VisionQuest personificado pela atriz Emily Hampshire, que adota uma postura resoluta e orientada para o combate.


A presença de Dum-E, U e o isolamento de Ultron
As primeiras invenções desenvolvidas por Stark durante seus anos de universidade também marcam presença. Os braços mecânicos Dum-E e U, que participaram da síntese do novo elemento em Homem de Ferro 2 e sobreviveram ao ataque contra a mansão de Malibu antes de Dum-E ser levado para a residência de Peter Parker, ganham forma humana: Dum-E é interpretado por Henry Lewis, enquanto U é vivido por Jonathan Sayer.
Completando o conjunto mental está Ultron, criação de Stark e Banner destinada a proteger a Terra que desenvolveu consciência hostil e planejou a aniquilação humana. Após ser derrotado em Sokovia e ter seu corpo terminal destruído pelo Visão, a ameaça robótica foi mantida viva, confinada e isolada em um sótão dentro da mente do protagonista, levantando dúvidas sobre a estabilidade de sua contenção ao longo da temporada.
